sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dispensar-se da cor?

       Faço parte atualmente do curso de especialização em Educação, pobreza e Desigualdade Social (UFRN) e fazendo a minha leitura do material disponibilizado para o módulo II, intitulado "Pobreza, direitos humanos, justiça e educação" , mais especificadamente no infográfico referente a linha histórica dos direitos humanos, constatei uma informação que (sinceramenre) tive que dá o print e dizer: Preciso compartilhar no blog!
   Sei que estudamos por vários períodos nas escolas sobre a barbárie que foi a escravidão no Brasil (país que mais importou negros escravos e o que mais demorou em abolir a escravidão), mas algo que li hoje que professor nenhum meu fez referência. ( Por gentileza, caso eu seja a única a não ter tido o acesso a  tal conhecimento, perdão!)

** Leia abaixo o trecho do material que dei o print: 

                                                       É isso mesmo produção ?

                                                  "Dispensa dos defeitos de cor?" 

     Século XIX, sociedade burguesa , aristocrata, escravocrata, enfim todos os atas cruéis... Posso até está entrando no conto anacrônico , de julgar um tempo com sentimentos e ideias atuais, mas difícil de aceitar e acreditar numa sociedade que impõe a negação de uma identidade do outro. 

Mas eu leio , leio e imagino a situação: 

                                         -Ei desisti de ser negra quero pedir dispensa !

     Dando F5 para atualizar as minhas sinapses nervosas  e shift + del para essa realidade, mas infelizmente quantas crianças , jovens e mesmo adultos hoje (em pleno século XXI) não estão se dispensando da sua negritude para incorporar padrões e estilos europeus ? Trabalho numa realidade com crianças e vejo meninas querendo alisar o cabelo para ficar parecida com  a Barbie girl .

                 Enfim fica ai minha indignação ao século XIX e XXI também !! Como também a minha descoberta histórica nada agradável aos meus olhos, e ai Brasil? 

                       Sim... Antes de sair no carnaval cantando a marchinha abaixo: 
            Analise, perceba, critique, conheça. Há elementos racistas (A La Brasil) contido ai! 
"O teu cabelo não nega mulata
porque és mulata na cor
mas como a cor não pega mulata
mulata eu quero o teu amor"

 (Composição: Lamartine Babo, Raul e João Valença) 



                           Semidia Lopes
                      
Para saber mais sobre essa dispensa de cor:

 Acesse o link: https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2012/04/24/a-dispensa-do-defeito-de-cor-ou-a-origem-do-negro-de-alma-branca/

<"No Brasil, tal concepção foi  praticada efetivamente e até oficializada na época da colônia e  mesmo  já no império,  pois o negro (preto ou miscigenado)  que tivesse alcançado por qualquer caminho o status de livre e condições acadêmicas suficientes para assumir postos de proeminência social ( em especial no clero), deveria peticionar e assinar um documento chamado “DISPENSA DO DEFEITO DE COR”  no qual ele “pedia” oficialmente que não se levasse em consideração sua cor e origem pois era totalmente assimilado aos valores civilizatórios eurocêntricos, aos  “bons costumes”, aplicado aos estudos e ao trabalho (em contraposição à imagem preconceituosa sobre e  “lugar-social” esperado do “negro comum”) ; ou seja, apesar de negro declarava oficialmente ter ‘alma de branco’"> (Extraído do link disponível acima)